Um dos tipos mais simples de funções que se constrói mediante a aplicação repetida das operações elementares, adição e multiplicação , são as funções racionais ou polinômios.
Aplicando-se estas operações a uma variável independente x e a um conjunto de números reais ou complexos
obtem-se os polinômios:
Onde n é um número natural e x também chamado de variável independente , pode assumir valores reais ou complexos .
Portanto:
n
N
C
x
C
são chamados Coeficientes .
são chamados Termos.
São exemplos de polinômios as funções constante, do 1º grau e do 2º grau, assim como outras:
Exemplos:
a)
, onde:
= 1
= - 6
= 11
= - 6
b)
, onde:
= 7
= 0
= - 3
= 0
= 1
VALOR NUMÉRICO
Seja o polinômio P( x ) genérico dado por
, fazendo-se x = c , obtemos o número complexo
, que é denominado valor numérico de P( x ) para x = c .
Chama-se raiz de um polinômio ao valor da variável x para o qual P( x ) = 0 ( P( x ) se anula ) .
Exemplo:
Seja o polinômio:
P( 0 ) = - 6 P(- 1 ) = - 24 P( 1 ) = 0 P( 2 ) = 0 P( 3 ) = 0 Logo: 1, 2 e 3 são raízes de P( x ).
Dado o polinômio:
que possui pelo menos um coeficiente
, diz-se que o polinômio P( x ) possui grau i se, e somente se,
e todos os coeficientes
, com
(coeficientes maiores que i ) são nulos. Quando todos os coeficientes de um polinômio P( x ) são nulos, não define-se o grau de P( x ) .
Exemplos:
a)
Grau de P = 3
b)
Grau de P = 10
c) P( x ) = 0
Não
grau de P
No exemplo do item c, temos P( x ) = 0 , neste caso, dizemos que o polinômio é identicamente nulo e define-se P( x ) identicamente nulo se e somente se, todos os seus coeficientes são nulos.
P( x )
0
![]()
= 0
P( x )
0 lê-se P( x ) idêntico a zero .
P( x )
0
P( x ) = 0
Identidade entre polinômios
Sejam os polinômios M( x ) e N( x ) conforme abaixo:
M( x ) = N( x ) = Podemos afirmar que M e N são idênticos e indicaremos por M( x )
N( x ) se, e somente se,
=
para qualquer i
N.
M( x ) N( x )
![]()
=
![]()
i
N
Temos ainda que:
M( x ) N( x )
M( x ) = N( x )
x
C
Operações
Sejam M( x ) e N( x ) os polinômios:
M( x ) = N( x ) = Define-se a soma de dois polinômios P( x ) = M( x ) + N( x ) como:
ou P( x ) = Exemplo:
M( x ) =
N( x ) =
P( x ) = M( x ) + N( x )
P( x ) =
Sejam M( x ) e N( x ) os mesmos indicados anteriormente, define-se o produto de dois polinômios:
P( x ) = M( x ) . N( x ) como:
P( x ) =
O qual é obtido multiplicando-se cada termo de M( x ) , por todos os termos de N( x ) e somando-se os resultados obtidos.
Exemplo:
M( x ) = x - 1 grau 1
grau 2
P( x ) = M( x ) . N( x )
grau 3
Note que no produto de dois polinômios, o grau do produto é igual a soma dos graus dos polinômios multiplicandos, logo se M( x ) tem grau m e N( x ) grau n , então P( x ) = M( x ) . N( x ) terá grau m + n.
Divisibilidade de polinômios
Um polinômio M( x ) de grau m é divisível por outro polinômio N( x ) de grau n , com
, se existir um polinômio Q( x ) tal que M( x )
N( x ) . Q( x ) .
Exemplo:
Sejam:
N( x ) = x + 1 grau 1
M( x ) é divisível por N( x ) pois grau M( x ) = 3 , grau de N( x ) = 1 e existe:
Máximo divisor comum e mínimo múltiplo comum de polinômios
Define-se m.d.c. de polinômios como o produto dos fatores comuns aos mesmos, tomando cada fator uma única vez com o menor expoente com que aparece na decomposição dos polinômios.Define-se m.m.c. de polinômios como o produto dos fatores comuns e não comuns aos mesmos, tomando cada fator uma única vez, com o maior expoente que aparece na decomposição dos polinômios.
Divisão de polinômios
Dados dois polinômios D( x ) e d( x )
0 , dividir D( x ) por d( x ) , significa obter outros dois polinômios Q( x ) e R( x ) tais que: D( x )
d( x ) . Q( x ) + R( x ) com: grau de R( x ) < grau de d( x ) ou R( x )
0 onde:
D(
x ) é o dividendo.
d(
x ) é o divisor.
Q(
x ) é o quociente.
R(
x ) é o resto.
O grau do quociente Q( x ) é dado por:
grau D( x ) = grau ( d( x ) . Q( x ) + R( x ) )
grau D( x ) = grau ( d( x ) . Q( x ) )
pois o grau de R( x ) < grau de d( x ) logo:
grau D( x ) = grau d( x ) + grau Q( x )
grau Q( x ) = grau D( x ) - grau d( x )
Ou seja o grau do quociente é igual a diferença entre os graus do dividendo e do divisor. Podemos obter o quociente e o resto da divisão de dois polinômios pelo método da chave, também conhecido como divisão EUCLIDEANA ou pelo método dos coeficientes a determinar, também conhecido como método de DESCARTES . Poderíamos citar outros métodos, porém, para este estudo bastam os que seguem.
Divisão Euclideana
Sejam D( x ) e d( x ) dois polinômios a serem divididos, com D( x ) sendo o dividendo e d( x ) o divisor.
Apresentamos a seguir o algorítmo de EUCLIDES:
1) Ordenar os polinômios D( x ) e d( x ), segundo potências decrescentes de x.
2) Dividir o primeiro termo de D( x ) pelo primeiro termo de d( x ), para obter o primeiro termo de Q( x).
Multiplicar o primeiro termo de Q( x ) obtido por d( x ) e subtrair o resultado desta operação de D( x ).
3) Repetir o segundo passo até que o grau do resto seja menor que o grau de d( x ).
Exemplo:
Efetuar pelo método Euclideano a divisão de:
.

Portanto:
R( x ) = 3x - 2
Método Descartes
Este método consiste em considerar um polinômio genérico:
Q( x ) =
onde
é indeterminado e k é conhecido, pois sabemos os graus de D( x ) e d( x ).
Logo: k = grau D( x ) - grau d( x ).
Adotaremos um resto genérico.
R( x ) =
Onde
é indeterminadado e h é conhecido pois grau de R < grau de d .
Exemplo:
Determinar pelo método de Descartes o quociente e o resto da divisão de:
por
.
![]()
![]()
pois grau Q( x ) = grau D( x ) - grau d( x )
grau Q( x ) = 4 - 3 = 1 e grau R( x ) < grau d( x ), grau R( x ) < 3, grau R( x ) = 2.
Assim temos:
Logo:
= 1
então:
= 2
= - 3
= - 1
= 4
Concluindo temos:
Q( x )
= x + 2
R( x ) =
Teorema de Bézout ou Teorema do Resto
O resto da divisão de um polinômio P(x) pelo binômio ( x -a ) é igual a P(a) .
Demonstração: O quociente da divisão de P(x) por ( x -a ) é um polinômio Q(x) de grau inferior de uma unidade ao do polinômio P(x) e o resto R(x) é um número constante R , assim podemos escrever:
P(x) = ( x -a ) . Q(x) + R Para x = a temos:
P(a) = (a -a ) . Q(a) + R Logo: P(a) = R
c.q.d.
Corolário
Se é uma raiz do polinômio P(x) , isto é , se P(a) = 0 , P(x) é divisível por ( x -a ) e pode ser posto sob a forma de produto: P(x) = ( x -a ) . Q(x)
Exemplo:
O polinômio
anula-se para x = 1 , ou seja , P(1) = 0 , logo , o polinômio P(x) é divisível por x - 1 .
Assim:
Algorítmo de BRIOT-RUFFINI
Sejam:
e
o quociente da divisão de P(x) por ( x -a ) , cujo resto denominaremos
.
Aplicando a relação fundamental da divisão, temos:
Pelo princípio da identidade de polinômios, efetuando-se o produto e igualando-se membro a membro os coeficientes com a mesma potência, obtemos o algorítmo de BRIOT-RUFFINI.
( resto )
O esquema abaixo é mais prático pois dispõe os coeficientes de forma a economizar tempo com operações:

Para os passos seguintes é só repetir o passo anterior.
Este algorítmo é bastante prático e versátil, podemos aplicá-lo em situações particulares, porém bastante usuais:
Na divisão de P(x) por ax + b
P(x) = ( ax + b ) . Q(x) + R(x)
P(x) = ( x +
) . a . Q(x) + R(x)
Neste caso considere a como sendo -
e
ou seja, após obter o resultado
, divida Q(x) por a .
Exemplo:
P(x) = ( 2x - 1 ) . Q(x) + R
P(x) = ( x -
) . 2 . Q(x) + R
2.Q(x) =
![]()
Q(x) =
Logo:
então:
e
Se P(x) é divisível por ( x -a ) e o quociente Q(x) da divisão de P(x) por ( x -a ) também é divisível por
( x - a ), então,
P(x) = ( x -a ) . Q(x)
Q(x) = ( x -a ) .
P(x) = ( x -a ) . ( x -a ) .
Neste caso, aplica-se o algorítmo de BRIOT-RUFFINI duas vezes.
Exemplo:
Teorema fundamental da álgebra
Todo polinômio de grau n , com
, admite pelo menos uma raiz real ou complexa.Este Teorema é demonstrado em álgebra superior, vamos aqui admití-lo sem demonstração.Com base neste Teorema anterior, demonstra-se o seguinte
Teorema:
Todo polinômio de grau n,
, decompõe-se em fatores lineares da forma ( x -a ) e um fator igual ao coeficiente de
.
Demonstração:
Seja P(x) um polinômio de grau n dado por:
.
Valendo-nos do Teorema Fundamental da Álgebra, este polinômio tem pelo menos uma raiz que denominaremos
. Valendo-nos também do teorema de Bézout, podemos escrever:
Onde
tem grau n - 1 e também tem uma raiz que denominaremos
.
Procedendo-se assim n vezes, teremos;
, onde
é um polinômio de grau zero , ou seja , uma constante. Essa constante será igual a
pois foi o único termo que restou de P(x). Desta forma podemos expressar P(x) da seguinte forma:
Sendo
as raízes de P(x).
Observa-se que nenhum outro valor diferente de
pode ser raíz do polinômio, visto que nenhum fator do segundo membro se anula para valores diferentes destes.
Logo, todo polinômio de grau n não pode ter mais do que n raízes diferentes.
Raízes Múltiplas
Se alguns fatores da divisão de um polinômio de grau n se repetem, então podemos agrupá-los e decompor o polinômio, da seguinte forma:
Onde:
E neste caso dizemos que
é uma raíz de multiplicidade
Exemplo:
P(x) = ( x - 1 ) . ( x - 1 ) . ( x - 2 )
Logo
é uma raíz dupla e
é uma raíz simples.
Se o polinômio tem uma raíz múltipla de ordem k , então ele tem k raízes iguais.Portanto todo polinômio de grau n,
, tem exatamente n raízes reais ou complexas , múltiplas ou não.
Nota:
Até o momento temos tratado do polinômio como função, porém o que foi dito até aqui sobre raízes, vale também para a equação algébrica:
= 0
Raízes Complexas
As raízes de P(x) podem ser reais ou complexas e vale o seguinte Teorema:
Teorema:
Se a + bi é uma raíz complexa de um polinômio P(x) de coeficientes reais, este polinômio tem também como raíz o número conjugado a - bi.
Demonstração:
Seja Z = a + bi raíz de P(x) então: P(Z) = 0
P(Z) =
Lembrando as propriedades dos números complexos:
Ou seja a soma dos conjugados é igual ao conjugado da soma.
Assim:
Utilizando-se as propriedades acima e sabendo-se que o conjugado de um número real é igual a ele mesmo, então:
Logo:
c.q.d.
Conseqüências:
Se o número a + bi é uma raíz múltipla de ordem k de P(x) , então o número conjugado a - bi é também uma raíz múltipla de ordem k . Todo polinômio de coeficientes reais e grau ímpar, admite pelo menos uma raíz real ou um número ímpar de raízes reais. Uma adaptação deste Teorema permite afirmar que se o número irracional
é raíz de P(x) , então
também será raíz, desde que o polinômio tenha coeficientes racionais e a e b sejam pertencentes a Q .
Relações entre os coeficientes e as raízes de um polinômio
Os coeficientes de um polinômio possuem informações sobre as raízes deste à medida que os relacionam as raízes.
Seja:
dividindo-se P(x) por
, suas raízes não são alteradas e temos:
1) Define-se a soma das raízes de P(x) ,
como sendo igual a:
.
2) Define-se a soma dos produtos das raízes tomadas duas a duas,
como sendo igual a
.
À seguir teremos os produtos das raízes tomadas três a três, quatro a quatro, e assim por diante.
Produto 3 a 3 igual a:
Produto 4 a 4 igual a :
Finalmente o produto das n raízes do polinômio,
é igual a
.
Essas relações, associadas a outras ferramentas permitem que avaliemos possíveis raízes de P(x) .
Exemplos:
1) Sejam a , b e a as raízes de um polinômio P(x) de 3º grau, cujo coeficiente de
é 1 . Calcular P(1) dado que a + b + c = 7 , a . b + a . c + b . c = 14 e a . b . c = 8 .
Onde:
![]()
Portanto: P(1) = 1 - 7 + 14 - 8 = 0
x = 1 é raíz de P(x) .
2)
Sejam
as raízes de P(x) , se P(x) tem duas raízes opostas, então:
.
Sabemos que:
temos:
c.q.d.
DICA: Você deve ter notado que no item anterior o sinal dos coeficientes do polinômio se alterna entre + e - , para fornecer as relações entre as raízes e os coeficientes. Uma regra prática é lembrar da relação:
e alternar sinais + e - , partindo da maior potência com sinal + .
Raízes Racionais
Um método que permite pesquisar possíveis raízes racionais, consiste em investigar se
com p e q inteiros e primos entre si, é raíz de P(x) com coeficientes inteiros sendo
com
.
Se
é raíz de P(x) então pelo Corolário do Teorema de Bézout temos:
Multiplicando ambos os membros por
temos:
Assim podemos escrever as duas expressões que seguem:
1)
2)
Sabendo-se que
são inteiros, assim como p e q , temos que:
e
Logo:
e
Mas
são primos entre si, então p é divisor de
e q é divisor de
.
Note que se
= 1 as possíveis raízes racionais de P(x) são inteiras.
Note também que o método anterior não garante a existência de raízes racionais para P(x) com coeficientes inteiros, somente sugere um critério de pesquisa das mesmas.
Exemplo:
Vamos aplicar o método anterior.
p é divisor de
q é divisor de
Divisores de
:
Divisores de
:
À partir deste ponto temos que testar as possíveis raízes, vamos adotar a = 2 como possível raíz.

Q(x) possui raízes iguais a
ou seja:
Então:
Localização de Raízes Reais em um Intervalo.
(TEOREMA DE BOLZANO WIESTRASS)
Vamos analisar o comportamento de um polinômio P(x) em um intervalo real
.
1) Se P(a) e P(b) tem sinais contrários, então P(x) possui um número ímpar de raízes reais no intervalo
.
A informação acima significa que P(x) "cruzou" o eixo x uma vez ou um número ímpar de vezes.
Exemplos:


2) Se P(a) e P(b) têm o mesmo sinal, então P(x) possui um número par de raízes reais ou não existe nenhuma
raíz real no intervalo
.
Exemplos:



Exemplo:
P(-1) = - 10
P(1) = 6
P(-1) . P(1) = - 60 < 0
Logo: existe um número ímpar de raízes entre
, como o grau de P(x) é igual a 3 , o número máximo
de raízes de P(x) também é igual a 3 , portanto podemos ter 1 ou 3 raízes no intervalo
.
|
Home | Empresa | Produtos | Novidades | Suporte | Revendas | Links | Contato | |